segunda-feira, 3 de maio de 2010

Entrevista à minha avó

Entrevistada: Maria Ana Camões
Idade: 79 anos



- Qual era a base da alimentação da sua família e da população local há 60 anos?

R: A alimentação era simples e humilde. As pessoas alimentavam-se à base dos produtos da terra, de acordo com a época do ano. Cultivavam um pouco de tudo: batatas, favas, pimentos, ervilhas, feijão, couve, repolhos. Normalmente era pão, azeitonas, sardinhas, alguma carne de porco, sopa de legumes frescos ou secos, arroz e batata. Doces e carne de vaca ou de aves só em dias de festa.

Também era comum comerem-se ovos mexidos. A última refeição era quase sempre os restos do almoço. As pessoas nunca deitavam comida fora.



- Como era o vestuário na época?

R:O vestuário era feito à base de linho e de lã. Os bebés usavam vestidos, utilizando fraldas de tecido, os rapazes vestiam calças ou calções com camisas ou camisolas mais quentes. Não havia sapatos para todos os dias, por isso, às vezes andavam descalços. As raparigas vestiam um vestido. Os homens usavam calças de cotim, camisas de pano, boné ou chapéu.



- As condições de habitação eram boas? Como era a casa onde habitava?

R: As casas eram baixas e caiadas de branco. De um modo geral, os interiores eram simples e modestos.

A casa onde habitava na altura era modesta, só com rés-do-chão, com o tecto revestido de canas por debaixo das telhas e com poucas janelas (e as existentes eram muito pequenas). Era uma forma de evitar o calor no Verão e o frio no Inverno.



- Como ocupava os tempos livres? Que diversões existiam?

R:   Os divertimentos estavam relacionados com as festas religiosas e com os trabalhos agrícolas (apanha do grão, ceifas) que eram muitas vezes, acompanhados por cantares ao desafio e os trabalhos domésticos (cuidar da casa e lavar a roupa, nos tanques ou no rio).
   Durante as festas do santo padroeiro de cada povoação faziam-se procissões, romarias, feiras e o povo divertia-se com bailes e jogos típicos da região. As crianças divertiam-se com brinquedos que elas próprias construíam.
   No Carnaval havia uma festa popular. Era festejado com brincadeiras, como atirar uns aos outros pó de arroz, farinha e água. As crianças vestiam-se com fatos que as próprias mães faziam.
   As mulheres nos seus tempos livres, conversavam sentadas às portas que davam para a rua ou então a fazer costura, bordar e a fazer rendas. Os homens ocupavam o seu tempo livre sentados na rua, ora junto á porta da sua casa ora num canto da rua. Os rapazes e as raparigas tinham as suas próprias brincadeiras conforme as suas idades.

 
 
- Quais eram os trabalhos existentes na época? Que profissões ocupavam?


R: As principais actividades das pessoas no campo eram a criação do gado e a agricultura. Muitos camponeses trabalhavam em terras que não lhes pertenciam, jornaleiros (trabalhavam à jorna, ou seja ao dia), criados ou assalariados. A vida dos camponeses era muito difícil, trabalhavam desde o nascer até ao por do sol.
   As longas tarefas que se sucediam ao longo do ano eram:

 A sementeira;
 A ceifa;
 A vindima;
 A extracção da cortiça;
 A apanha da azeitona;
 Guardar os rebanhos;

 

 
 
 



- Foi à escola? Até que ano?

R: Fui à escola até à 3ª classe e depois fui trabalhar.
   Havia escolas distintas para rapazes e raparigas. O uso diário da bata branca era obrigatório. As carteiras eram um banco corrido para duas alunas, os tampos levantavam-se para colocar a pasta no interior. Na parte mais elevada (horizontal), já que o tampo era levemente inclinado, havia ao centro o tinteiro de porcelana branco e de cada um dos lados, uma reentrância na madeira para colocar caneta, lápis e lápis de pedra.
   O transporte do material escolar fazia-se em malas de cartão.
   Na primeira classe havia caderno de duas linhas para treinar a caligrafia.
   Lembro-me que alguns alunos iam para a escola descalços, chovesse ou fizesse sol e alguns dos que se apresentavam calçados, quando chegavam a casa, descalçavam os sapatos para não os estragar, indo brincar de pé ao léu, mesmo jogando à bola.
- Com que idade começou a trabalhar?

R: Comecei a trabalhar com 11 anos e ganhava 10 tostões por dia.
   No meu tempo, após a 4ª classe, que nem todas conseguiam fazer, poucas raparigas continuavam os estudos, a maioria ficava por casa, onde aprendia as tarefas caseiras com a mãe, a quem ajudava na limpeza da casa, varrer, lavar (roupa, chão e louça), caiar, passar a ferro, cozinhar, bordar, costurar, etc.
   As outras, aos onze, doze anos, procuravam aprender um “ofício”, no meu caso foi o de costureira de homem, num alfaiate.



- Como eram os namoricos no seu tempo?

R: O interesse de um rapaz por uma rapariga era demonstrado primeiramente pela “corte” que consistia em ter os olhos nela o máximo de tempo possível, olhá-la, admirá-la, segui-la... Nessa altura dizia-se que fulano andava atrás de fulana e elas diziam que fulano lhe fazia a corte.
   Quando a corte era aceite e o namoro do agrado de ambas as famílias, e isto não podia acontecer em pouco tempo, o rapaz era convidado pela moça a ir pedir ao pai dela autorização para que o namoro se “oficializasse”.
   Já se sabia da resposta afirmativa, mas sempre dada com algumas restrições. O namoro era feito à janela com dias e horas marcadas que tinham de ser cumpridas. Nada de passeios juntos. No meu caso, namorava às 3ª e 6ª feiras. Competia à mãe fazer a companhia. Também se aproveitavam os bailes que se realizavam nas sociedades locais. Só quando se falava em casamento, o rapaz começava a entrar em casa dos futuros sogros, deixando de namorar à janela.



- Com que idade conheceu o avô? Quantos anos namoraram?

R: Comecei a namorar com o avô com 16 anos e namorámos 10 anos.



- Como foi o casamento? Houve festa? Quantos convidados?

R: Não me lembro quantos convidados eram...mas eram alguns! A festa foi em casa do noivo. No meu tempo, as pessoas deslocavam-se a pé da casa dos noivos para a igreja e, depois dessa cerimónia, iam também a pé da igreja para o local onde era servida a boda. O meu bolo de noiva foi um bonito bolo de massa, feito em casa pelas boleiras, que prepararam também todos os restantes bolos, o borrego guisado, a canja de galinha, o arroz doce e mais coisas. Eu fui a noiva mais bonita do ano!

 
 
Trabalho realizado por:
Vera Ferreira, nº23

Entrevista à professora Luísa Rodrigues

Entrevista


Trabalho realizado por:

Sandro Mendes nº22

Introdução:



Com esta entrevista pretendo saber mais um pouco sobre a profissão da professora Luísa.

Idade: 34 anos



Como surgiu a ideia de ser professora?

A professora inicialmente não queria ser professora mas no estagio adorou o contacto com os alunos e ensinar.



A quantos anos exerce a profissão?

A professora Luísa acabou o seu curso a dez anos e tem estado sempre ligada ao ensino, mas não tem dado aulas sempre em escolas públicas.



Em que escolas deu anulas?

A professora Luísa deu aulas na escola secundaria de Santo André onde também ia dar aulas á prisão, também em varias escolas primarias no Alentejo, no Alandroal e agora a dois anos na nossa escola.



O curso de tic esta estabelecido desde o inicio da universidade?

Começou por tirar uma licenciatura em ensino de historia e só quatro anos depois é que fez uma pós-graduação em tic multimédia e desde ai esta a dar aulas nessa área.